15 novembro 2018

Já Fui Mãe - Parte 2

Boa tarde amigas!
Para quem caiu aqui nesse post do nada, vou deixar a primeira parte aqui.


...Voltamos do hospital, que sensação estranha e maravilhosa de carregar meu filho nos braços, ele era tão lindo e perfeito, meu sorriso ia de orelha até orelha, meu coração estava explodindo!!!
Chegamos na casa da vovó e tudo preparado com muito amor (minha mãe e padrasto haviam separado até um quarto com berço para ele), como tudo seria muito novo, diferente, combinamos de ficar um mês lá e depois para o nosso lar. Não deu nem tempo!
Você acredita que lembro de cada dia ? De cada detalhe e do cheiro dele ?
Vou resumir porque se não daria um livro.
Tivemos uma semana linda, com toda a adaptação de um bebê Rn em casa, mas ele era quietinho, chorava pouco a noite e na hora do banho.
Como mãe de primeira viagem foi bem complicado amamentar, não tinha posição certa e cara, como doía e me sentia muito triste em "abandonar", mas mesmo doendo eu consegui até o fim amamentar.
Meninas, eu me perdia no olhar dele, sentia tanta alegria ao olhar aqueles olhos pretos como duas jabuticabas, aqueles dedinhos tão minúsculos e gordinhos (igual do pai), ele era tão cheiroso macio e não conseguia enxergar a minha vida sem ele.
Na segunda, terça a mesma rotina  mamá, trocar de fraldinha, banho a tarde, mais mamá, mais fraldinha, mais mamá de madrugada.
Na quarta (Se não me engano) fomos ao médico na primeira consulta de rotina, falei para a Dra que o cocozinho dele estava com uma cor estranha e ela falou que era normal e que era vestígios das coisas da placenta (coisa assim) e que ele precisava de vitamina D (Sol), voltamos para casa e mais um dia de rotina.
Era mamá, trocar de fraldinha, banho a tarde, mais mamá, mais fraldinha e assim por diante, um ciclo no qual era árduo, mas eu estava amando.
No sábado 07/09/2013 o meu esposo estava de folga e lembro como se fosse hoje, demos banho no Davi e coloquei um roupinha vermelha e meu esposo também estava de vermelho, tirei uma foto e postei com a frase "meu homens", eu estava tão radiante, mas posso confessar uma coisa ?
Aquele sonho/pesadelo ainda me assustava, mas continuei meu dias.
Domingo...
O pior dia da minha vida.
Aquela madrugada o Davi não dormiu, parecia com dor o choro dele era diferente e eu sentia isso, fizemos de tudo e dei umas gotinhas de Luftal (a médica havia  receitado, pois já previa as cólicas), passamos a noite em claro o dia amanheceu e nada, lembro-me que a última mamada dele tinha sido umas 10hs. Com o tempo ele parou de chorar não aceitava mais o peito, mas ficou quieto demais e eu fiquei com medo, comecei a chorar (muitas pessoas me falaram que os RNs choravam de dor ou frio que era normal), mas naquela hora meu coração estava apertado demais e fomos para o hospital.

Chegamos no hospital no qual tinha convênio na época, Davizinho passou na tiragem e a enfermeira  não estava conseguindo ouvir direito o coraçãozinho dele e ficou agitada, chamou mais enfermeiros e quando percebi já tinha umas 5 pessoas naquela sala fora minha mãe e o meu esposo, nisso me fizeram um tanto de perguntas e me culpavam do acontecido (isso fica para outro post).
Correram com o Davi para a emergência e  como eu estava recém operada tive que fica na recepção, que tortura.... Cai nas lagrimas e no desespero, só lembrava do sonho e sabia que Deus recolheria meu filho.

Meu esposo subiu para a UTI com meu filho e eu não podia ficar no hospital, sendo assim minha mãe me incentivou a participar do culto, voltamos para casa e participamos do culto o pastor e irmãos oraram por mim e por ele, mas meu coração já estava sem "conformando" que Deus o levaria para si. Estou sendo muito sincera, acredite quem quiser!!!
Tudo isso que estou relatando foi no domingo.
Após o culto fui direto para o hospital e assim que cheguei na recepção...
...vi meu esposo em lágrimas...
Ele não precisava falar mais nada, eu li em suas lagrimas.
(As lagrimas ainda rolam no meu rosto nesse momento)
Meu corpo flutuou, cai no chão e tudo ficou mudo... um silêncio não ouvia mais nada, como se eu não tivesse mais ali, pra mim era um pesadelo e eu acordaria a qualquer momento.

Me colocaram em uma cadeira e eu estava atordoada.
Estava meu esposo, sogra, pai, cunhado e uma prima a Léia (Se não me engano).
Mesmo aparentando ser sempre uma pessoa forte, não há grandeza que resista ao choque da morte e do adeus,  mesmo tendo uma vida espiritual eu sou uma mulher de carne e osso, corre sangue em minhas veias, sem medo de errar foi a fase mais difícil da minha vida.
Davi faleceu de infecção generalizada, broncopneumonia e ainda tinha 
um problema no coração no qual não saiu em nenhum exame na gestação.
Quero deixar registrado o meu obrigada a todos que nos ajudaram naquela época, foi muito importante.

Vou fazer um outro post sobre o depois...depois de enterrar meu filho, crise existencial e no casamento.

Meninas,
Obrigada por ler meu desabafo, se quiser deixar um comentário vou ficar feliz.


Um beijo
Deus abençoe!!

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